Alguns amores precisam ser breves

Alguns amores precisam ser breves

Não é de hoje que quero escrever sobre essa frase da Frida Kahlo: “Onde não puderes amar não te demores”. Eu adiei o texto porque estava demorando em um amor em que não podia amar.

Foram uns bons meses de rolo, sinto que foi meu único amor de fato em 2017. Porém, enquanto “vivia” esse amor essa frase nunca saia da minha cabeça.

“Onde não puderes amar não te demores”: por que ela vivia na minha cabeça? Porque era um amor totalmente pela metade, onde só eu me doava, procurava, sonhava em viver sem aspas, e só pra mim era amor.

Uma vez juntos conversamos sobre o amor pela metade, que talvez o que vivíamos era pela metade porque eu me amava pela metade e ele também, éramos amores-próprios incompletos. Sei que não foi isso que não fez dar certo, mas também não vem ao caso o motivo.

A questão é que desde que começamos a nos ver com frequência e deu uma mini-engatada a frase da Frida martelava na minha cabeça.

A gente sente onde não pode amar, nossa intuição diz, as ações mostram. Eu sabia que ali não morava o amor e tentava não demorar, mas me envolvi e demorei.

Se aprendi? Aprendi e muito! Sou uma pessoa que acredita no amor, acredito pra caramba no amor. Já quebrei a cara incontáveis vezes, sei de cor e salteado como é viver uma fossa e sempre que vivo uma acho que nunca vai passar, não desisto de me apaixonar – mas sempre tento amadurecer e tirar uma lição.

Por mais que viver uma paixão seja lindo, o amor nem sempre é suficiente pra sustentar. Envolve parceria, respeito, cumplicidade, empatia, tem muitos substantivos pra engrenar e o amor por si só não sustenta.

Por acreditar no bendito amor, caio fácil em algumas ciladas, mas agora lembro da frase da Frida. É melhor recolher-se do que insistir em algo que não existe, não vai dar fruto ou que só você deseja. Quando é pra ser a coisa flui de um jeito ou outro, acredito nisso.

E aprendi que demorar onde não podemos amar é insistir em um amor unilateral. Algo que só você sente e quer viver. É difícil aceitar isso, mas no fundo a gente sabe e sente quando é bilateral. Claro, tirando a meia dúzia de gato pingado que eu conheço/convivo e são adeptos ao amor livre, só sei falar do amor monogâmico, pois é até onde meu amor conhece.

Tem match de tinder que a gente acha que vai engrenar, tem crush do passado que reaparece e ficamos crente que vai virar história de amor, tem boy da balada que parece ser o amor da vida, mas aprendi que quando não posso amar por completo, não demoro.

A vida passa em um piscar de olhos, quando a gente vê já é dezembro. Por isso, tento não demorar. É bom mergulhar e viver quando a coisa é boa. Mas quando você não pode se jogar, mergulhar de cabeça, resumindo não pode amar, você também não pode demorar.

*Ilustrações: Maria Hesse



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