Vamos falar sobre rejeição?

Vamos falar sobre rejeição?

A rejeição traz à tona pra mim feridas gigantescas que carrego a vida inteira (isso não é exagero) finjo que não existem, mas são mais latentes do que eu imagino. E uma ferida que não foi cuidada e nem curada, vai latejar sempre. Enfim, acho que domino o assunto o suficiente para falar sobre.

Tenho um amigo que fala que sofro da síndrome do cachorro vira-lata, minha frequência de achar que as pessoas não gostam de mim é absurda. Eu sempre acho que as pessoas não gostam de mim. S-EM-P-R-E. Sempre acho que falam, gostam, convivem comigo por dó, obrigação ou algo do tipo – claro que isso está totalmente ligado à minha insegurança e baixa-estima.

Tenho um problema absurdo com isso, é muito mais forte que eu e qualquer argumento não é suficiente. Sempre vou achar que meus amigos, paquera, colegas de trabalho e familiares não gostam de mim. Sempre!

Depois de muitas sessões de terapia descobri uma parte dessa origem, a gravidez da minha mãe e meu parto não foram fáceis e consequentemente, carrego tudo isso. A rejeição rolou muito nesses 9 meses e absorvi muito. Segundo minha psicóloga devo fazer uma regressão do meu parto, mas essa é uma das feriadas que evito tocar.

Quando o assunto é rejeição versus relacionamento, aí o bicho pega. Há um tempo minha psicóloga me disse que por eu ser tão tomada pela rejeição, qualquer brecha de amor que vejo quero me atirar, como se fosse a única possibilidade de amor do mundo. E às vezes, nem é isso que eu realmente quero.

Um dia desses tive que dispensar um rapaz, lê-se rejeitar. Pra mim não foi tão simples, porque já tive do lado de lá. Mesmo tendo terminado todos meus namoros, fui muito rejeitada pelos meus ex durante o relacionamento e acabava voltando, podia ter economizado um bocado de coisa: paciência, amor-próprio, energia, saúde mental e relacionamento frustrado, mas não.

Eu preferi levar e talvez o medo da rejeição me fez ficar. Quando fui dispensar esse menino, pensei nesse texto. Eu fui sincera o máximo que podia ter sido e toda vez que ele me procurava tinha que rejeitar em pequenas doses, até uma hora que joguei a real, que rejeitar aos poucos tava me fazendo mal e que aquilo dali não ia rolar e é bem melhor por ponto final. Ele entendeu.

Eu não sei muito bem onde quero chegar com esse texto, já que meu desfecho sobre rejeição está um pouco longe de acabar (espero que seja logo). Mas o fato é, sinto que a rejeição está completamente ligada ao amor-próprio, se eu me amasse o suficiente não me sentiria rejeitada o tempo inteiro. O rejeitar-se, rejeitar a si próprio é o que acontece comigo – não são os outros, sou eu.

E pensando bem, o momento que me coloquei no lugar do menino e fiquei mal por rejeitá-lo, eu tive empatia. Não sei exatamente onde as coisas se encontram, mas a empatia e o amor-próprio são bons – lembrei de uma conversa que tive esses dias (<3), sobre: “Amor próprio” e “Amar ao próximo” – ambos são essenciais.

O desfecho da conversa foi que o próprio deve vir primeiro, mas agora fiquei em dúvida. Já que tudo nessa vida é reflexo, quando tenho amor pelo outro mesmo rejeitando eu tô me amando e indiretamente amando o outro também. Pra mim tudo isso acabou de fazer um enorme sentindo, pode ser loucura e confusão da minha cabeça, mas o amor é tão louco que vem até pra aliviar uma rejeição.

***Ilustrações Xuan Loc Xuan



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