Minhas únicas certezas são os nãos

Minhas únicas certezas são os nãos

Minha cabeça não consegue seguir um fluxo sobre como discorrer esse texto, é um assunto que ronda meus pensamentos há um tempo, mas é confuso, assim como meus pensamentos desde sempre. Mas, vamos lá, vou tentar explicar.

Primeiro queria dizer que meu propósito é tocar em dois assuntos e quero tentar interligá-los, mas nem sei se uma coisa tem haver com a outra, mas vou tentar, vamos ver o que que sai.

Enfim, um dia li um texto maravilhoso, mas infelizmente, não lembro de quem, dizendo que na nossa vida nem sempre é simples saber o que queremos e para descobrir isso é muito mais fácil saber o que não queremos.

Li isso tem um tempo, mas aí em uma das minhas paranoias constantes, comecei a ter uma crise existencial, que por sinal é sinônimo de Mariana, tenho uma crise existencial a cada troca de roupa. E aí, tava sofrendo, pensando, como sempre achando que era o fim do meu mundo, e mais uma vez fui presenteada pelo mundo digital, assisti um vídeo incrível da Paola Carosella, que por sinal, é uma das poucas pessoas públicas que admiro, sou carente de ídolos no século 21, ou geração Millenium (ZzzzZZZZz), se preferir.

O vídeo tá aqui, recomendo demais assistir.

Lembro certinho de um dia com vento fresco, era hora do almoço no trabalho e eu o Rodrigo, meu amigo querido que sempre entra nas crises existenciais comigo, começamos a falar sobre como alcançar os nossos sonhos, como tudo era difícil, como as coisas podiam ser mais simples e por aí vai.

O Rodrigo é um artista plástico incrível, mas SUPER inseguro (assunto que rende um texto, que pretendo escrever em breve). E ele quer e merece todo reconhecimento do mundo. Mas eu sempre falo pra ele: “- Rô, não é simples assim ser famoso e rico. As coisas são muito mais difíceis que a gente pensa. ” E ele sempre fica meio pra baixo, por que ele sonha com uma puta mansão, muitos dinheiros na conta bancária e glamour.

Se esse é o sonho dele, super apoio, além do que, o talento dele tem que ser estampado pelo mundo.

Voltando na nossa conversa no almoço, eu lembro que falei bonito pra carai, tava tudo fresquinho sobre uma sessão de terapia – acho que ás vezes faço umas plágios das frases da Thais, mas como a sessão é eu e ela, me sinto na liberdade de plagiar.

O tema era sobre sofrimento, na época eu tava numa puta crise de depressão, zuadíssima, só chorava, olheira funda, acabada, sem ânimo, com dor, em um relacionamento falido (é nóis Paola) muita dor e sofrendo sem fim, enfim toda cagada… aff, não gosto nem de lembrar.

Lembro que estava reclamando pra ela, dizendo que não aguentava mais sofrer tanto. E ela me falou muito sobre o sofrimento, que muitas pessoas alcançam seus objetos, sonhos, depois de sofrer muito. Aquela clássica frase, que só damos valor depois de sofrer (tô em dúvida se essa frase existe mesmo, ou misturei uns ditados). Ela deu um exemplo do Gandhi (não curto muito dele, mas vale o exemplo) que ele só chegou no estado de iluminação depois de sofrer pra caralho, passando fome, sede, tomando sol, chuva e ficando lá sentado mil anos…

E a conclusão desse dia na terapia, foi que para a Mariana alcançar o estado de iluminação dela, ela tinha que sofrer. Afinal de contas, eu só queria ver minha luz mais forte que farol de milha, enquanto isso a depressão tava no reinando.

Voltemos ao Rodrigo, eu estava dizendo isso pra ele, que a gente só ia se tornar adultos bem-sucedidos realizadores de nossos sonhos, depois que a gente se fodesse um pouquinho ou um poucão.

E por coincidência, esse final de semana nos dois e mais um amigo estávamos falando disso de novo, dos perrengues que passamos. Mas cada um sabe dos seus perrengues e nem vem ao caso falar deles, eu sei bem dos meus e do que já passei –  e cada um sabe de si.

Hoje tenho uma vida com perrengue também, eles nunca vão deixar de existir, isso é fato, mas dou muito valor ao que tenho hoje. Assim, como meus dois amigos também.

Os perrengues fazem parte, ajudam tanto a evoluir, dar valor e … que rufem os tambores, AH MULEQUE, consegui ligar os dois pontos que queria… graças aos perrengues a gente sabe o que NÃO queremos da nossa vida.

Muita gente sabe o que quer, como o Rodrigo, mas eu, por exemplo,
não tenho muita certeza do que quero, tenho milhões de sonhos, cada dia acordo com plano novo e me perco toda na minha missão da vida, mas aí vem as certezas, certezas do que NÃO quero pra minha vida, muito mais fácil, agora é só ir por eliminatórias e filtrando os sonhos.

Não quero fazer coisa sem tá com vontade, não quero fazer parte de hierarquias sujas, não quero ficar sem ver a luz do dia, não quero crush que se acha pica das galáxias, não quero morrer sem ter ido pra Islândia, não quero mais trocar amigo por namorado babaca, não quero chegar nos 30 tomando refrigerante, não quero que o pai dos meus filhos seja de direita e não saiba dançar… não quero muitas coisas… Só nesse pouquinho já sei que quero muita coisa: quero chegar nos 30 saudável, quero que o pai dos meus filhos seja engraçado, de esquerda e ame meus amigos, um dia quero ser minha própria chefe e ver a luz do dia, quero visitar a Islândia e assistir a aurora boreal, e só quero ir pra balada quando tiver com vontade.

Eu sou a louca das listas e com meu funil de nãos, comecei a ter várias certezas.

ÓBVIO que todas as ilustrações são do Rodrigo <3 



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