Não boicote a solitude

Não boicote a solitude

“A linguagem criou a palavra solidão para expressar a dor de estar sozinho. E criou a palavra solitude para expressar a glória de estar sozinho” (Tillich)

Pensei mil títulos para esse texto talvez por isso sempre adiei. Mas, como jornalista também sei que o título deve ser a última coisa do texto. Ou simplesmente a indecisão do título pode ter sido uma desculpa para não escrevê-lo, o que eu acho mais provável.

Dentre as minhas indecisões, algumas opções eram: “Um conselho que daria a mim mesma aos 23 anos” ou “Nunca se case aos 20 e poucos anos”.

Foto de Nhung Le em Behance

Daí já dá pra perceber que me casei com 23 anos, mas nada de véu, grinalda e bem-casado, só juntando as tralhas, dividindo um apê e adotando o cachorro mais maravilhoso desse universo, mesmo.

Neguei, neguei por dois anos que isso era um casamento, mas agora que acabou, sim, era um casamento. Tinha briga, abraços pra ver série, passeio de madrugada com o cachorro, furos na parede, cozinha quase pegando fogo, senha de wi-fi compartilhada e perrengue, muitos perrengues.

Ia falar que a vida é muito curta para se casar aos 20 e poucos anos, mas quem sou eu pra dizer isso? Tem gente que encontra o amor da vida aos 12 anos de idade e tá junto até hoje. Eu tive esse sonho, tentei manter e amadurecer esse sonho, mas não rolou, aliás, o meu sonho era o mesmo de muita gente, dois cachorros maravilhosos adotados, uma casa com quintal, horta na janela, rede no quarto de visita e um marido de coração bom.

Mas, quando você sonha… quando você quer SE descobrir nada disso é o suficiente. Bate saudade às vezes? Lógico. A saudade bate de tudo que já foi bom nessa vida. E no meu casamento houveram bons momentos, mas saudade também significa guardar com carinho esses momentos que não vão voltar mais.

“Separar-se é um gesto de amor. Amor próprio e ao outro. Amor generoso, imenso, sabedor de que a vida é uma só e a gente precisa melhorá-la como puder. Juntos! No encontro e na despedida. Na união e na separação.” ANDRÉ J. GOMES

E que maravilhoso que esses momentos não vão voltar mais. Porque eles tiveram um fim pra abrir a porta de um sonho antigo, que sempre carreguei só comigo: viver só. Viver sozinha é um desafio muito mais que diário, é um desafio constante. Você chega do ballet eufórica, mas depois do banho bate a solidão, ou vontade de ter alguém pra comentar daquele seriado gracinha (no caso, Please Like Me <3) ou alguém pra compartilhar quando uma das suas amigas mais queridas decide partir desse mundo numa noite de sexta-feira.

“Como minha mãe sempre diz: a pior solidão é a solidão acompanhada.”

Também é constate aprender com a solidão, tanto que aprendi que o que eu quero não é solidão é a SOLITUDE. Solitude é amor próprio que vem dar um abraço na gente quando estamos sozinhos e te dá certeza que tudo vai ficar bem, e que a única pessoa que você precisa é de você mesma. A solitude é leve tipo uma brisa de vento gelado e faz eu me sentir infinita.

Aliás, depois que fui em busca da minha solitude, em muitos momentos me sinto infinita e o melhor de tudo: sozinha. Já chorei de alegria por voltar pra casa pela Av. 23 de maio 1 hora da manhã cantando minhas músicas preferidas, já me senti completa por levantar cedo para preparar uma café da manhã maravilhoso só pra mim, já me senti o máximo de trocar a resistência do chuveiro sozinha e tomar um banho bem quentinho depois e já me senti plena de ligar uma música no sábado a noite sozinha,  tomando vinho, fumando cigarro e dançando.

Com a solitude tenho aprendido que não é fácil, que ás vezes a solidão vem te dar uma rasteira, e te faz sentir que estar sozinho não é legal. Dói, dá um vazio e um aperto no peito, mas eu prefiro chamar isso de boicotar a solitude.

Sempre sonhei e desejei estar comigo mesma, essa hora chegou! Às vezes me perco sem saber se era isso que queria, me saboto e me arrependo de algumas escolhas. Mas aí vem aquela brisa gelada da minha varanda me acordar de um sonho antigo. E que chegou a hora de viver. Quero estar comigo, só comigo, e isso tem sido um desafio incrível. Uma descoberta única, que não quero ninguém me fazendo feliz, isso não existe – já ouvi isso em alguns relacionamentos, de hômi querendo me fazer feliz, essa conquista é minha, só minha. Por isso, adaptei uma frase: que minha solidão solitude me sirva de companhia”.

Foto de capa: ohgigue



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